Dia de Folga » Opinião com gelo e laranja.

O que fazer com o resultado do desapego?

Publicado em 15/03/2014, em consumo. Tags: , ,

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, uma leitora me perguntou o que eu faço com as coisas que não quero mais, aquelas das quais me desapego, as que considero que passaram ao status de tralha. Tem tanta coisa que eu poderia falar a respeito que acabava nem começando o texto. Agora, resolvi responder sem a pretensão de esgotar o tema e contando com a contribuição dos leitores na sessão de comentários.

A primeira providência é separar a tralha em 3 montes: o que vai direto pro lixo, o que pode ser vendido e o que pode ser dado ou doado.

Feita essa triagem, você pode começar a tomar as devidas providências.

Lixo

Etá velho, puído, quebrado, rasgado, sem par, vencido? Lixo, sem piedade. Para cada item, faça duas perguntas:

  • Eu gostaria de ganhar esse treco nesse estado?
  • Eu teria coragem de dar isso a algum amigo, nesse estado?

Se responder negativamente a uma dessas questões, jogue fora!

Mas… toda regra tem exceção e essa não é tão absoluta como a coloquei. Algumas coisas que mereceriam o lixo podem, na verdade, ser reaproveitadas por artesãos, algo que aprendi com a Senhora F. Roupas podem virar retalhos, esmaltes vencidos podem virar tinta, brincos desemparelhados podem virar decoração, papéis podem virar estampas. Assim, se você conhece algum artesão, ou associação de artesãos, converse com eles e veja se eles podem aproveitar algo. Mas converse antes, não chegue despejando o seu lixo.

Vender

Vendi muito pouco do meu desapego. Aqui, paciência é mesmo a chave: você precisará tirar fotos, fazer descrições e anunciar em sites como Mercado Livre ou Bom Negócio. Também pode criar um blog para divulgar seus itens, ou enviar emails aos amigos (com cópia oculta, por favor, e sem torrar o saco deles – não seja spammer). Pode organizar uma garage sale (dentro do seu apartamento mesmo) ou um bazar, de repente até com outros amigos que queiram vender os próprios desapegos.

Agora, seja realista: você não conseguirá recuperar seu “investimento”. Em regra, qualquer produto usado vale, no máximo, metade do preço do mesmo produto novo. No caso de produtos de informática, celulares e afins, essa relação tende a ser ainda pior.

Vender seus itens é uma forma de estender a validade deles, contribuir para o uso racional de recursos e fazer um dinheirinho, mas nem comece se você pensa que poderá “recuperar o prejuízo”. Você terá trabalho, responderá várias perguntas, terá de aguentar gente pechinchando e desvalorizando itens que podem até ainda ser queridos para você, precisará marcar encontros com desconhecidos ou frequentar a agência de correios.

Tem gente que nem acha tudo isso trabalhoso, que sente prazer em negociar as próprias coisas. Gente que tem tino pra vendas e aproveita até pra fazer amigos no processo. Se esse é o seu caso, vá em frente!

Na fase de desapegos inciada em 2010, limitei-me a vender livros e cds em sebos, nunca por mais de um quarto do preço que tinha pago por eles. Em outros tempos, vendi móveis e equipamentos eletrônicos usados por cerca de metade do valor, normalmente no Mercado Livre.

Dar/Doar

De longe, minha opção preferida. Se eu juntasse tudo que dei ou doei nos últimos quatro anos, encheria um caminhãozinho. Aqui, as opções são ilimitadas. Sempre tem gente precisando ou querendo os desapegos da gente. Vou dar alguns exemplos do que fiz com os meus.

Quando encarei o desafio dos #50desapegos, postei as fotos no flickr e várias pessoas se interessaram pelos itens. Uma amiga ficou com quase todos os cds, outra levou itens de artesanato e assim por diante.

Também participei de bazares de trocas entre amigas, uma forma muito divertida de destralhar e, de quebra, renovar o guarda-roupa. Alguns itens que consegui nesses bazares estão comigo até hoje e são muito queridos. É facinho organizar um: reúna as amigas num sábado à tarde com alguns comes e bebes e comece as trocas. Aposto que será bacana.

Quando destralhava alguns itens, pensava que Fulana ou Sicrana poderiam gostar deles. Eu perguntava pra amiga, explicava que era usado e tals e, se a destinatária se interessasse, ganhava de presente, sem troca. Tem gente que acha isso esquisito, e talvez seja mesmo necessário ter um certo grau de amizade… muita gente torce o nariz, na base do “ain, mas é usado”. Também ganhei coisas nesse mesmo esquema e sempre ficava contente: “pô, Fulana lembrou de mim e esse treco é realmente a minha cara, que legal”. Mas cada um é cada um, né.

Quando eu tinha faxineira, ela sempre se beneficiava quando o destralhamento passava pela cozinha: potes, pratos, copos, tudo em ótimo estado, claro. Coisas trincadas, quebradas, sem tampa etc. nem devem ser oferecidas, é lixo e pronto (vide o começo desse post).

Isso não entra bem no quesito “destralhamento”, mas vale a menção: quando reformei o apartamento, portas, bancadas e peças de louça dos banheiros (sem uso) foram doados para a Secretaria da Mulher do Governo do Distrito Federal (por dica da Senhora F, de novo). A Secretaria estava construindo abrigos para mulheres vítimas de violência doméstica e qualquer material de construção era bem-vindo. Para coisas específicas assim, vale a pena procurar órgão do governo ou associações civis, com a vantagem de que, nesse caso, você pode pedir que os beneficiados retirem as doações no local.

A propósito, a Secretaria da Mulher também aceita doações de roupas, brinquedos e itens de uso doméstico.

Falando em itens domésticos, potes de vidro com tampa de plástico podem ser doados para bancos de leite. No Distrito Federal, os bombeiros até pegam os potes em casa. Já doei vários.

Para o desapego de itens de informática, tem o Comitê para a Democratização da Informática, com unidades pelo Brasil todo. Já doei pra lá uma impressora que não puxava mais o papel, computadores e monitores (funcionando) e um netbook cuja bateria não pegava mais carga. Nesse caso, você pode doar coisas que não funcionam: eles remontam, reaproveitam peças e, inclusive, usam os equipamentos para dar aulas em cursos profissionalizantes de manutenção. Sempre perguntei antes de levar algo que não estivesse funcionando, e eles sempre aceitaram.

Roupas e calçados em geral, acabo doando para igrejas ou para a Comunhão Espírita. Essas instituições sempre atendem gente muito carente e podem reaproveitar bastante coisa (mas, pelamor, não custa repetir: não doe o que deveria ir pro lixo). A Comunhão Espírita de Brasília dá cursos profissionalizantes e aproveita cosméticos – quando parei de pintar o cabelo, ainda tinha uns três tubos de tinta fechados e doei pra lá.

Por fim, doei muitas coisas novas ou seminovas para a Salvando Vidas Protetores Independentes. A SVPI é um grupo de protetoras muito sérias que fazem o possível e o impossível para resgatar animais abandonados, feridos, maltratados, e conseguir lares amorosos para eles. De vez em quando, elas fazem bazares para arrecadar dinheiro pra bancar as contas altíssimas de veterinários. Doei roupas e acessórios sem uso algum, livros, cds e outras coisas pra esses bazares. Aconselho fortemente que você procure uma organização bacana na sua cidade, que faça um trabalho relevante e sério, não importa em que área: proteção animal, ambiental, auxílio a crianças carentes, a idosos etc. etc. etc. etc. Escolha uma causa que lhe seja cara e veja se os seus desapegos podem ajudar

Dá pra ver que as opções são muitas, não? O fato é que, quando você está destralhando, é mais fácil desapegar quando sabe que aquele item pode ser mais útil para outra pessoa do que é pra você. Isso sempre funcionou comigo. Já aconteceu de eu ter algo de que gostava muito, mas que estava subaproveitado na minha casa. Aí, alguma amiga via, gostava, e eu sabia que ela daria melhor uso que eu: pronto, desapego realizado. Ou eu pensava “pôxa, eu adoro esses livros, mas nunca mais vou lê-los… eles podem ser vendidos num bazar” e conseguia desapegar.

Essa é uma das razões pra eu vender tão pouca coisa do meu desapego: normalmente, prefiro fazer uma boa ação. Eu já gastei mesmo aquele dinheiro, já dispus dele. Por que não fazer o bem a outra pessoa passando o item adiante?

Pão de Liquidificador

Publicado em 28/02/2014, em comes e bebes, lanches. Tags: , , , ,

O trabalho que esse pão dá é menor que o de ir à padaria – e fica delicioso!

Ingredientes

Pão de Liquidificador

Menos de 15 minutos pra fazer a massa.

  • 200 gramas de farinha de trigo
  • 200 ml. de leite morno
  • 1 ovo
  • 50 ml. de óleo
  • 3 colheres (sopa) de açúcar
  • 1/2 colher (sopa) de fermento biológico seco instantâneo
  • 1 colher (chá) de sal

Você também precisará de

  • liquidificador
  • assadeira e óleo para untar

Preparo

Pão de Liquidificador

Uma hora pra crescer.

No liquidificador, bata rapidamente todos os ingredientes, menos a farinha de trigo.

Acrescente a farinha em duas ou três parcelas, batendo a cada vez só o suficiente pra misturar. Não bata demais, ou o pão ficará pesado.

Transfira para a assadeira untada e deixe crescer por cerca de uma hora. Dependendo da temperatura ambiente, a massa dobrará de tamanho, mas não se preocupe se ela não crescer tanto.

Pré-aqueça o forno em temperatura baixa (180ºC) por 15 minutos. Asse o pão por 40-50 minutos. Estará pronto quando estiver dourado.

Dicas e Complementos

Pão de Liquidificador

40 minutos pra assar.

Se quiser um gostinho diferente, substitua o óleo por azeite de oliva, de preferência por um de sabor marcante, como costumam ser os portugueses.

Você pode usar qualquer formato de assadeira.

Se usar assadeira de silicone, não é necessário untar.

Se quiser um pão ligeiramente adocicado, reduza a quantidade de sal pela metade.

Rende um pão médio (menor que um pão-de-forma do mercado). Fique à vontade para dobrar a receita.

  • Tempo de preparo: 15 minutos para bater – depois, é só esperar crescer e assar
  • Grau de dificuldade: fácil
  • Rendimento: um pão de cerca de 400 gramas

Brownie de Caneca

Publicado em 22/02/2014, em comes e bebes, sobremesas. Tags: , , , ,

Nunca me dei bem com bolos de caneca. Sempre achei as receitas muito pesadas, ou muito oleosas. Mesmo assim, um dia estava morrendo de vontade de bolo e teria me aventurado de novo nos de caneca se tivesse ovos em casa, mas tinham acabado. Vai daí que a @adachivers me passou uma receita de brownie de caneca, que não leva ovo, não é gordurosa e, pra completar, é perfeita pra matar aquela vontade de chocolate que aparece nas horas mais impróprias (às onze da noite de um domingo chuvoso, por exemplo).

Mexi um pouco na versão da Ada, e ficou assim:

Ingredientes

  • 3 colheres (sopa) de leite
  • 3 colheres (sopa) de açúcar
  • 2 colheres (sopa) de chocolate em pó
  • 1 colher (sopa) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de óleo

Você também precisará de

  • forno de microondas
  • caneca que possa ir ao forno de microondas

Preparo

Brownie de Caneca

Brownie de Caneca

Misture os ingredientes secos na caneca. Acrescente o óleo e o açúcar e misture novamente. Leve ao microondas por um minuto na potência máxima e dê uma olhada. Se precisar, adicione mais tempo, de 30 em 30 segundos. No meu forno, fica pronto em 2 minutos.

Deixe esfriar só o suficiente pra não queimar a língua e aproveite!

Dicas e Complementos

Minha versão favorita leva apenas 1 colher (sopa) de chocolate em pó e não leva açúcar: no lugar dele, coloco 3 colheres (sopa) de ovomaltine. Brinque com essas proporções à vontade, até conseguir a doçura e a concentração de chocolate que preferir. Também dá pra usar açúcar mascavo pra obter um gostinho diferente e menos doce.

Você pode colocar mais uma ou duas colheres (sopa) de farinha de trigo pro brownie ficar mais pesadinho, mais parecido com um brownie de verdade.

  • Tempo de preparo: 5 minutos (contando com o tempo que deixo esfriar)
  • Grau de dificuldade: fácil
  • Rendimento: uma porção

Vinhos: onde comprar?

Publicado em 06/02/2014, em bebidas, comes e bebes. Tags: ,

De vez em quando, alguém me pergunta onde comprar vinhos decentes – e por “decente” entenda-se o seguinte:

  • algo que não seja fechado com chapinha
  • que não seja vendido em galão
  • que custe mais que cerveja
  • que não tenha as expressões “fino de mesa” ou “suave” escritas no rótulo
  • que não cause a mãe de todas as ressacas no dia seguinte

Estes são os parâmetros mínimos para um vinho decente. O céu é o limite, claro, quando se trata de qualidade e de preço – tudo vai depender do seu bolso e do seu paladar. Mas acredite: você não precisa desembolsar três dígitos para apreciar um vinho honesto. Na verdade, sabendo onde e como comprar, com 20 reais já dá pra começar a brincadeira.

Não vou dar aqui uma aula de enologia. A sessão de gastronomia das livrarias e a internet são ótimas fontes de informação para quem está começando. Nas livrarias, sugiro que você dê uma folheada e fuja de livros com expressões rebuscadas, que tentam descrever um vinho como tendo “o sabor de maçãs quase verdes colhidas numa manhã nevoenta e rosada dos Alpes” – existem livros sobre vinhos que não são pedantes, vai por mim. Na internet, um bom lugar pra começar é o blog Sommelier Wine (falo mais da Wine a seguir), ou o bom e velho Google.

Agora vem a parte em que realmente indico alguns locais pra compra de vinhos. Vou começar pelas lojas físicas, então se você não é de Brasília pode achar que não vale a pena continuar lendo – mas vale, porque tem umas dicas gerais no meio. Vem comigo.

Sam’s Club: se você mora numa das cidades que têm Sam’s Club (o mercado atacadista do Wal-Mart), aproveite. É preciso ter cartão de sócio e a anuidade custa 60 reais. Garanto que vale a pena, e uma das razões principais são os vinhos. Você não vai encontrar sempre os mesmos rótulos ou os mesmos preços, e nem tudo tem um preço justo, mas sempre haverá algumas boas opções. Gosto de ficar de olho nos espumantes e nos Casillero del Diablo. Também é uma boa checar os outros chilenos e os argentinos.

Clube des Sommeliers Pão de Açúcar: nem todos os rótulos que levam a marca Club des Sommeliers do Pão de Açúcar são bons e eu jamais me arriscaria a dar um deles de presente, mas vale a pena comprar uns de vez em quando para consumo próprio – especialmente quando estão em oferta. Costumo me dar bem com os espumantes e já tomei bons carmenères e merlots. Nunca dei sorte com os cabernets. A dica é sempre dar uma olhada nas prateleiras – ou, se você mora em uma cidade com entrega em casa, verifique o site de vez em quando.

Outros Supermercados: eventualmente, aparecem boas oportunidades no Big Box e no Wal-Mart. Quando estiver fazendo as compras de mês, dê uma olhadinha, mas não espere encontrar garrafas que valham a pena. Se não estiver anunciado em promoção, não compre – é quase certo que você pagará mais do que o vinho realmente custa.

Adega do Vinho, na CLSW 104, Bloco C, Sudoeste, também merece uma visita, especialmente se você está buscando uma garrafa para presentear alguém.

“Mas Lu, e a Superadega?”

Bem, a Superadega é um caso à parte.

Ela realmente tinha preços excelentes logo que abriu sua loja física no SIA, há alguns anos. Rapidamente se tornou conhecida dos apreciadores de vinho e ainda hoje é o primeiro nome que vem à mente da maioria deles. Só que, atualmente, ela se vale da fama do passado e, olha, você pode quebrar a cara por lá, não só com os vinhos, mas com todos os produtos (já que ela virou, na verdade, um hipermercado). Ainda assim, vou à Superadega quando quero algo muito especial, ou uma indicação muito particular de uva ou harmonização –  no subsolo da loja ficam os melhores vinhos e um enólogo muito competente, pronto a dar informações. (No subsolo também ficam os melhores destilados e o preço às vezes vale a pena.)

Agora chego à minha dica favorita: Wine.com.br. E essa dica todo mundo pode aproveitar, porque a Wine entrega no Brasil inteiro.

A Wine é a salvação da lavoura pra quem mora em cidades pequenas, que geralmente não contam com boas lojas para comprar vinhos, mas também é muito interessante pra quem mora em cidades grandes, graças a uma carta de vinhos variada e a um preço honesto – com a comodidade de receber suas garrafas em casa. Você pode se associar a uma das três modalidades do ClubeW (ou a todas…) e receber mensalmente uma seleção de vinhos. Associados compram qualquer vinho do site com 15% de desconto e frete grátis, mas quem não é sócio também pode comprar e conta com boas ofertas, além de frete grátis de vez em quando. Os vinhos vêm muito bem embalados e chegam rápido – e, se houver algum problema, o Serviço de Atendimento ao Consumidor é prestativo e eficiente. No mínimo 60% do meu consumo mensal de vinho é provido pela Wine hoje em dia.

Eis minhas dicas para comprar vinhos, especialmente em Brasília, com uma boa relação custo x benefício. E as suas?

Atualizações:

A Vanessa lembrou que a Wine é excelente pra comprar meias garrafas – realmente, é o lugar onde você encontrará mais opções.

O Ricardo conta que a Adega da 303 Sul tem ótimas opções de vinhos italianos a 25 reais e Chablis por 55 reais, além de espumantes a bons preços. Gosto muito dos italianos, mas é difícil encontrar opções em conta em Brasília. Devo conhecer essa loja em breve!

Lu MonteA autora mora em Brasília e atende por Lu (de Luciana). Ou Lu Monte, já que há um monte de Lus. Mais?

No Dia de Folga, fala sobre entretenimento de qualidade, minimalismo, receitas e interesses variados. Também tem outros blogs.

Opine sobre o Dia de Folga. Leva só três minutos!

Dicas e Diversos

Bebidas

Carnes, Aves e Peixes

Conservas e Compotas

Entradas, Saladas e Guarnições

Lanches

Molhos

Pratos Únicos

Sobremesas

Todas as Receitas

107 queries. 0,474