Dia de Folga » Opinião com gelo e laranja.

Boeuf Bourguignon (adaptado)

Publicado em 06/12/2014, em carnes, aves e peixes. Tags: , ,

Quando o senhor meu pai avisou que faria bouef bourguignon no fim-de-semana, lembrei na hora de Julie e Julia (veja o filme, leia o livro etc. etc. – mas o filme é bem melhor que o livro, coisa rara), da tragédia que foi esse prato na vida da protagonista e, bem, sabia que não seria uma missão fácil. Então, diferentemente da maior parte das receitas que posto aqui, já aviso que esta não é simples. Não é propriamente difícil, mas há várias etapas e é demorada. O Sr. Monte fez algumas adaptações que contribuíram para a redução do tempo de preparo (especialmente por usar uma carne mais macia).

O resultado desse trabalho todo compensa: o cheiro se espalha deliciosamente pela casa toda e o sabor é divino!

Ingredientes

  • 500 gramas de filé mignon cortado em cubos
  • 400 ml. de vinho tinto seco
  • 100 gramas de champingnon em conserva
  • 50 gramas de farinha de trigo
  • 8 cebolas roxas pequenas
  • 2 cenouras descascadas e cortadas em rodelas
  • 50 gramas de bacon picadinho
  • 30 ml. de azeite (cerca de 2 colheres das de sopa)
  • 20 gramas de manteiga (uma colher das de sopa)
  • 2 dentes de alho picados
  • quanto baste de cheiro verde (tomilho, salsinha, cebolinha, louro)

Você também precisará de

  • panela grande e funda
  • frigideira

Preparo

Amarre o cheiro verde com um barbante, ou com uma cebolinha resistente (o nome “chique” é bouquet garni) e reserve.

Em uma panela funda, frite o bacon no azeite até ficar dourado, e reserve.

Frite a carne na mesma gordura até dourar. Reserve.

Doure as cebolas inteiras (sempre na mesma gordura), e reserve.

Boeuf Bourguignon (adaptado)

Quase pronto.

Refogue o alho. Retorne a carne, a cebola e o bacon para a panela. Acrescente a cenoura.

Adicione o vinho. Tampe a panela e deixe cozinhar por meia hora.

Em uma frigideira, derreta a manteiga e refogue o champignon. Acrescente-o ao cozido e deixe cozinhar destampado por mais meia hora.

Quando a carne estiver macia, adicione a farinha dissolvida em água, misture bem e acrescente o bouquet garni. Deixe cozinhar por mais uns quinze minutos, até o caldo engrossar. Retire o cheiro-verde.

Sirva com arroz branco, batata ou pão italiano.

Dicas e Complementos

Boeuf Bourguignon (adaptado)

O trabalho vale a pena!

O vinho não precisa ser excelente, mas deve ser decente. O cheiro e o sabor do vinho são penetrantes nessa receita. Com menos de vinte reais, você consegue um vinho decente em qualquer supermercado (sugestões: Concha y Toro, Tarapaca, Santa Helena). Em hipótese alguma use vinho suave!

A receita original leva fraldinha. O sabor fica mais acentuado, mas demora o dobro do tempo pra cozinhar a carne.

Há outras modificações nessa receita, que não tem a pretensão de ser “tradicional”, apenas saborosa.

  • Tempo de preparo: umas duas horas, no mínimo
  • Grau de dificuldade: moderado
  • Rendimento: quatro porções generosas

Tomates Secos

Publicado em 01/09/2014, em comes e bebes, conservas e compotas. Tags: , , ,

Fazer tomates secos em conserva em casa é fácil, e ficam mais gostosos que os comprados no supermercado, mas você precisará de alguma paciência.

Ingredientes

  • 3 quilos de tomates maduros
  • sal para polvilhar
  • açúcar para polvilhar
  • azeite

Você também precisará de

Preparo

Tomates secando ao sol.

Tomates secando ao sol.

Lave bem os tomates, corte-os ao meio e retire a polpa e as sementes. Disponha-os sobre as formas e polvilhe-os com sal e um pouquinho de açúcar. Exponha-os diretamente ao sol forte para que desidratem, por várias horas, durante uns dois ou três dias. Nesse meio tempo, retire a água que se acumula nas formas e torne a polvilhar os tomates com sal.

Se não for possível expor os tomates ao sol, leve as formas ao forn0 a gás, mantendo-o entreaberto e na temperatura mais baixa. Ficarão prontos em cerca de três horas.

Arrume os tomates nos vidros, complete-os com azeite e tampe. Guarde-os na geladeira.

Dicas e Complementos

Você pode acrescentar grãos de pimenta ou ervas nos vidros.

Use a conserva em saladas, pizzas, sanduíches ou como desejar.

Dois vidros dos de azeitona (um de 500 gramas, um de 250 gramas) deverão ser suficientes para acondicionar a conserva. Encha-os completamente com azeite, para que os tomates durem por mais tempo.

Você pode aproveitar a polpa e as sementes para fazer um excelente molho.

  • Tempo de preparo: 3 horas no forno, dois ou três dias sob o sol – mas você não tem que fazer quase nada durante esse tempo.
  • Grau de dificuldade: fácil
  • Rendimento: cerca de 800 gramas, já com o azeite (ou dois vidros médios)

Razão nº 87.237 pra não valer mais a pena pedir a Nota Legal

Publicado em 30/07/2014, em cidadania. Tags: , ,

Eis o que recebi dia desses da Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal, referente a diversas contestações de notas fiscais que fiz contra a mesma empresa:

Informamos que devido à não regularização do documento fiscal pela empresa e da finalização dos procedimentos de fiscalização, a reclamação foi concluída.

Comunicamos, ainda, que a SEF/DF não está autorizada a informar o motivo da não geração do crédito ao consumidor, por envolver informação da empresa emitente protegida pelo sigilo fiscal.

Observe: a empresa não regularizou os documentos fiscais, eu não recebi o crédito e o Governo do Distrito Federal, vulgo GDF, não me deu qualquer explicação a respeito, alegando “sigilo fiscal”.

O valor envolvido não era pequeno. As notas fiscais somadas totalizavam quase dois mil reais.

Além disso, essas notas foram emitidas em junho de 2012. O GDF mandou o comunicado acima em maio de 2014. Ou seja, levou quase dois anos para prestar alguma satisfação (pífia, ainda por cima).

Essa é uma das várias razões pelas quais não vale mais a pena pedir Nota Legal. Depois que o GDF incutiu o hábito nos cidadãos, preferiu adotar a política do “se vira aí”, dificultando ao máximo o recebimento dos créditos e minimizando os benefícios. Senão, vejamos algumas das modificações introduzidas nos últimos anos:

  • É necessário ir à Secretaria de Receita entregar pessoalmente, de tempos em tempos, as notas e cupons fiscais contestados e não regularizados pelas empresas. O que sempre foi ruim ficou pior, com a exigência de se juntar cópia de todos os cupons (no início essa exigência era restrita apenas às notas fiscais, que são bem mais raras no dia-a-dia) e com o encurtamento do prazo que o cidadão tem para comparecer, uma vez notificado.
  • O consumidor será notificado por email (e quem não tem ou não usa?) para apresentar os comprovantes fiscais, terá que imprimir uma declaração (e quem não tem impressora?) e dirigir-se a uma das raras agências de atendimento espalhadas pelo DF (nove no total – no plano piloto e adjacências, só há uma – e o gasto de passagem ou combustível?), que só funcionam de 12h30m a 18h30m, nos dias úteis (e quem trabalha nesse horário?).
  • O montante de créditos repassado ao consumidor caiu drasticamente, graças a mudanças que atingiram, principalmente (mas não com exclusividade), compras em supermercados, um dos gastos principais das famílias. Em 2014, os consumidores receberam de volta metade do valor que obtiveram em 2013, ou até menos. E isso depois de ter a trabalheira acima. Se o consumidor não se der ao trabalho de guardar notas e cupons, fazer as reclamações online e apresentar os comprovantes no prazo, recebe uma fração desse valor.
  • Nem vale a pena mencionar como a instabilidade do site dedicado ao Nota Legal aumentou.
  • O tempo para avaliar as contestações é enorme. Não raro, o GDF pede ao consumidor um cupom fiscal que foi emitido há mais de um ano.
  • Outras vezes, demora dois anos, como no caso acima… e sai-se com essa resposta mequetrefe.

Continuo pedindo a Nota Legal (e ainda atualizo a lista de estabelecimentos que fazem os lançamentos regularmente), mas não perco mais meu tempo e dinheiro apresentando os comprovantes quando as empresas não fazem a parte delas. Aliás, algumas que costumavamlançar tudo direitinho estão parando de fazê-lo – provavelmente porque já perceberam que o GDF não fiscaliza e que os consumidores não têm mais paciência pra desempenhar uma função que, afinal de contas, é do governo.

Se o GDF quer que os cidadãos trabalhem pra ele, deveria ao menos facilitar-lhes o processo – e remunerá-los adequadamente. Ou, pra usar um ditado popular (muitas vezes citado em contexto negativo): quem quer rir, tem que fazer rir.

Vinum Brasilis

Publicado em 30/04/2014, em comes e bebes. Tags: , ,

Eu sempre deixo pra fazer esse post mais perto da data e… acabo esquecendo. Pois bem, esse ano vou falar sobre o Vinum Brasilis ainda em abril, e você marque no seu calendário: ele acontece em agosto. ;)

Vinum Brasilis 2012

Nero Gold Chardonnay, com flocos de ouro.

O Vinum Brasilis vai pra sétima edição em 2014 e é uma ótima oportunidade para degustar vinhos nacionais, inclusive aqueles que não são facilmente encontrados no mercado (o que pode ser um tanto frustrante). Não perco desde 2012. Naquele ano, a grande novidade foi o espumante Nero Gold, da vinícola Domno, com flocos de ouro comestível 23 quilates. A gente come primeiro com os olhos… e bebe primeiro com os olhos também, então só de ver o brilho o espumante já ficava mais saboroso. ;)

Em 2013, preocupei-me em anotar minhas impressões sobre um vinho ou outro (a gente prova dezenas e acaba registrando só os que chamam muito a atenção mesmo – e, se não anotar, mal vai se lembrar no dia seguinte). O Brasil brilha nos espumantes e na Vinum Brasilis são encontrados vários ótimos. O Perini foi muito, muito agradável. Contudo, dia desses o Sr. Monte comprou uma garrafa e ela não estava tão boa, tinha um certo amargor (por outro lado, ele comprou um rosé Perine tempos atrás que estava muito bom).

Saindo dos espumantes, havia bons vinhos brancos, mas nenhum que me marcasse.

Vinum Brasilis 2012

Sr. Monte e eu na Vinum Brasilis 2012.

Quanto aos tintos, nunca gostei dos brasileiros. Acho-os muito aguados e/ou muito doces. Alguns que estavam na Vinum Brasilis 2013, porém, estavam ótimos. O cabernet da Salton, por exemplo, surpreendeu. Dentre os que tomei (é impossível provar todos), o melhor tinto foi da Sozo, produzido em Vacaria (RS). O dono da vinícola, José Sozo, estava lá demonstrando, batendo papo e contando histórias. Já no fim da feira, formou-se uma rodinha em torno da mesa e dos cabernet e merlot muito prazerosos que ele trouxe. Infelizmente, porém, não estão à venda em Brasília. Segundo Sozo, não é fácil que pequenos produtores consigam espaço nas gôndolas da cidade.

A Vinum Brasilis acontece em meados de agosto, em algum lugar do Plano Piloto (com serviço de transporte gratuito para alguns pontos da cidade  – ou seja, dá pra beber, sim!). Nos últimos anos, o convite custou 60 reais. Esse preço inclui a degustação dos vinhos e vários petiscos (pães, queijos, embutidos e, em 2013, rolaram umas estações de massas e saladas). No blog Decantando a Vida, você sempre fica sabendo do início da venda dos ingressos (em julho). Aí é comprar logo, porque eles são limitados, viu?

A gente se vê na próxima Vinum Brasilis!

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Lu MonteA autora mora em Brasília e atende por Lu (de Luciana). Ou Lu Monte, já que há um monte de Lus. Mais?

No Dia de Folga, fala sobre entretenimento de qualidade, minimalismo, receitas e interesses variados. Também tem outros blogs.

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